O poder de golo irresistível do Atlético no final do jogo
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Normalmente, Diego Pablo Simeone tem o hábito de não cumprimentar o técnico adversário no final das partidas porque ele corre em direção ao túnel do vestiário. Na terça-feira à noite, em Montjuïc, ele cruzou com Hansi Flick e lhe deu um abraço. Além dos erros que viram em suas equipes, ambos os treinadores pareciam se parabenizar pela orgia de jogo e pelos gols oferecidos. Uma partida histórica que homenageou aqueles duelos dos anos 90 entre as equipes azul e vermelha que eram garantia de gols e mudanças no placar.
Para o Atlético, empatar a desvantagem de dois gols do Barcelona nos últimos dez minutos foi mais um exemplo de uma tendência geral nesta temporada. Dos 81 gols marcados, 28 deles, mais de um terço, foram marcados depois do minuto 80. Os rubro-negros são o time das cinco principais ligas que mais faz gols nessa reta final de partidas, à frente do PSG (20) e do Bayern de Munique (19). “A equipe tem um espírito competitivo que eu adoro, eles são gladiadores. E provamos isso mais uma vez. Fomos para o 4-3, tivemos a chance de Correa e marcamos para fazer 4-4 com Sorloth", disse um exultante Simeone na sala de imprensa em Montjuïc. “Eles marcaram quatro gols contra nós e, como zagueiro, estou preocupado. Mas estou feliz em ver a garra que temos no time. Mostramos que aqueles que entram no segundo tempo são tão importantes quanto aqueles que entram no início. “É a nossa força”, disse Giménez.
Desses 28 gols marcados após os 80 minutos, 16 foram decisivos, 11 para vencer partidas e cinco para empatar. Os dois gols marcados por Llorente e Sorloth para empatar o 4 a 2 que o Barça havia sofrido no placar são o exemplo mais recente de uma equipe que se rebela diante da derrota de uma forma raramente vista.
Simeone não esconde sua satisfação ao perceber um elenco no qual se misturam a tenacidade para não abandonar as partidas e um elenco solvente. Em Montjuïc, Sorloth e Correa foram mais uma vez os maiores expoentes do poder das substituições disponíveis ao afinador argentino. Juntos, eles marcaram 15 gols saindo do banco, oito para o norueguês e sete para o argentino. Ninguém marcou mais gols na Europa do que Sorloth começando como reserva. No Montjuïc, ele foi o autor do gol na prorrogação que deu a vitória ao Atlético na partida da Liga. Na terça-feira, novamente no último minuto, ele marcou para empatar. Outros dois gols dele na linha de fundo fizeram o 2 a 1 contra o Leganés e o 1 a 1 contra o Celta.
Correa não marcou, mas deu assistência para Llorente fazer o 4 a 3. O argentino marcou gols tão decisivos nos minutos finais quanto os que levaram às vitórias contra Athletic (0-1) e PSG (1-2) ou ao empate por 1 a 1 no clássico da liga no Metropolitano. Na terça-feira, Simeone o apresentou em campo no lugar de De Paul. Uma aposta que o próprio treinador assumiu ser arriscada. “Rodrigo [De Paul] tinha acabado de fazer um passe fantástico para Griezmann, e outro que saiu um pouco para fora. Então eu disse: "Estou estragando tudo". Mas entendi que precisávamos de uma perna no meio com Llorente e coloquei Correa na direita para nos dar profundidade e coragem para atacar com mais jogadores", explicou Simeone.
Sorloth e Correa eram o complemento ideal para o jogo que Julián Alvarez estava fazendo. Ele apoiou o Atlético nos seus piores momentos porque nunca deixou de ser uma ameaça à defesa avançada do Barcelona. Ele era quem melhor lia os espaços onde podia aparecer para dar continuidade ao jogo ofensivo ou liderar as jogadas individuais.
“O jogo de Julian Alvarez foi incrível. Ele correu por todo o campo, como armador, como ponta, como centroavante", elogiou Simeone. O atacante argentino também contribuiu com gols no final para vitórias cruciais. Marcou o 0-1 em Vigo e fez história ao marcar dois golos na reviravolta frente ao Leverkusen (2-1) com o Atlético a jogar com menos homens.
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Cobre notícias sobre o Atlético de Madrid e a seleção espanhola. Está no EL PAÍS desde 2012, antes de trabalhar na Dinamic Multimedia (PcFútbol), As e Público e no Canal+ como comentarista internacional de futebol. Colaborador da RAC1 e de várias revistas internacionais. Graduado em Ciências da Comunicação pela Universidade Europeia.
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