Diplomatas russos e norte-americanos reunem-se quinta-feira, em Istambul
O encontro, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, será para abordar "problemas sistémicos que se acumularam em resultado das actividades ilegítimas da anterior administração" norte-americana
Diplomatas russos e norte-americanos vão reunir-se novamente na quinta-feira, em Istambul, após as primeiras discussões a 18 de fevereiro na Arábia Saudita, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, esta quarta-feira.
“O encontro terá lugar amanhã [quinta-feira] em Istambul”, acrescentou Lavrov, citado pela agência francesa AFP e pela agência russa TASS.
“Anunciámos que os nossos diplomatas e peritos se reunirão para abordar os problemas sistémicos que se acumularam em resultado das actividades ilegítimas da anterior administração [norte-americana] destinadas a criar obstáculos artificiais ao trabalho da embaixada russa, às quais respondemos claramente na mesma moeda, criando também condições desconfortáveis para o funcionamento da embaixada dos EUA em Moscovo”, disse Lavrov numa conferência de imprensa no Qatar.
Agora, o ministro russa espera que esta reunião “deixe claro até que ponto as partes são capazes de avançar rápida e eficazmente”
A Turquia, membro da NATO, quer desempenhar um papel de liderança para pôr fim às hostilidades na Ucrânia, como tentou fazer em março de 2022 ao acolher por duas vezes negociações diretas entre Moscovo e Kiev, mas sem sucesso.
A Rússia e os Estados Unidos retomaram o diálogo depois de uma conversa telefónica entre os respetivos líderes, Vladimir Putin e Donald Trump, após quase três anos sem contactos de alto nível devido à guerra na Ucrânia.
No rescaldo do encontro em Riade, russos e norte-americanos afirmaram que pretendiam relançar as relações bilaterais, o que suscitou o receio de que Kiev e os seus aliados europeus fossem postos de lado na resolução do conflito na Ucrânia.
Após a discussão, Serguei Lavrov e o homólogo norte-americano Marco Rubio, afirmaram querer restabelecer o funcionamento normal das missões diplomáticas, após as múltiplas expulsões de representantes das respetivas embaixadas desde 2022.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Riabkov, disse no domingo estar “à espera de progressos reais” numa reunião que se realizará “ao nível dos chefes de departamento” dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países.
Os Estados Unidos e os aliados ocidentais apoiaram a Ucrânia desde que foi invadida pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, com armamento e ajuda financeira, e com a imposição de sanções a Moscovo.
Desde que o republicano Donald Trump sucedeu ao democrata Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro, têm crescido os receios de que Washington diminua o apoio a Kiev.
Trump pretende trocar esse apoio pelo acesso dos Estados Unidos a minerais da Ucrânia, tendo sido admitida uma deslocação do Presidente Volodymyr Zelensky a Washington nos próximo dias para assinar um acordo sobre a questão.
expresso.pt