Maestros discutem partituras no El Siglo

Os maestros Iván López Reynoso (Guanajuato, 1990), renomado maestro de orquestra, e José Luis Barros Horcasitas, presidente da Pro Ópera AC, protagonizaram uma noite dedicada à música. O espaço El Siglo de Torreón foi o cenário onde, pouco depois das 19h de quinta-feira, 28 de agosto, ambos os convidados se envolveram em um debate repleto de partituras, compositores e grandes obras da tradição musical histórica.
O evento foi organizado pela editora, em colaboração com a Camerata de Coahuila e a Prefeitura de Torreón, por meio do Instituto Municipal de Cultura e Educação (IMCE).
José Luis Barros Horcasitas conduziu a discussão com suas perguntas, enquanto Iván López Reynoso contribuiu com a música para suas respostas. O público pôde ouvir a história de vida e a filosofia musical do homem que se consolidou como uma das principais figuras da música contemporânea mexicana, tendo sido recentemente nomeado diretor artístico da Ópera de Atlanta.
A trajetória musical de López Reynoso remonta à sua infância. A impressão que teve ao assistir ao filme Fantasia (1940), com trilha sonora da Orquestra de Filadélfia e regência de Leopold Stokowski, teve um profundo impacto. Anos mais tarde, conheceu o maestro Eduardo Mata. A partir daí, decidiu estudar música. Frequentou o Conservatório de las Rosas em Morelia e a Escola de Música Vida y Movimiento. Estreou-se em Monterrey aos 19 anos. Estreou-se também no Palácio de Bellas Artes aos 22 anos, regendo um repertório diversificado de grandes vozes, incluindo Javier Camarena, Rebeca Olvera e David Lomelí.
Adoro ouvir música. Colecionei muitos discos desde muito jovem. Ouvi muitas sinfonias e óperas ao longo da minha vida. Então, quando chegou a hora de estudá-las, elas não me eram estranhas. Antes mesmo de abrir as partituras, eu já conhecia as sinfonias de Beethoven, Brahms, Schumann, óperas de Verdi, Rossini e Puccini.
Que trabalho foi difícil para Iván López Reynoso?, perguntou José Luis Barros Horcasitas.
O diretor nascido em Guanajuato respondeu imediatamente a Electra (1909), de Richard Strauss, declarando-a o maior monstro que ele já enfrentou em sua carreira.
Assim como Inferno (2019-2020), de Thomas Adès, e O Mandarim Maravilhoso (1926), de Béla Bartók.
Em seu livro Tiempo de Otoño (Tempo de Outono), o falecido escritor Eusebio Ruvalcaba apresenta um texto sobre Eduardo Mata que poderia ser facilmente aplicado à carreira de Iván López Reynoso: “No México, não é fácil subir num pódio, pegar a batuta e fazer música. E, de fato, em qualquer país. Mas o que estamos pensando agora é o México, porque a arte navega por pântanos perigosos, nos quais é fácil submergir. É preciso lutar até a morte contra a apatia, o tropeço e a inveja. O maestro de orquestra requer equilíbrio e energia extraordinária para conseguir isso.”

O PROGRAMA COM CAMERATA
Iván López Reynoso subirá ao palco do Teatro Isauro Martínez (TIM) nesta sexta-feira, 29 de agosto, às 20h30. Esta será sua estreia em Torreón com a Camerata de Coahuila, orquestra com a qual vem afinando duas grandes obras durante toda a semana: a Sinfonia nº 3 de Brahms e a Sinfonia nº 60 de Haydn, composta originalmente para servir de trilha sonora à peça El distraído (1770).
Para mim, é sempre um enorme sucesso programar uma obra conhecida com uma obra pouco conhecida. Essa é uma ferramenta infalível, pois dá ao público, que aguarda a Sinfonia nº 3 de Brahms, como todos nós, a oportunidade de vivenciar outra obra-prima muito menos famosa, mas igualmente brilhante, como a Sinfonia nº 60 de Haydn.
Estas são duas obras que a Camerata de Coahuila apresentará pela primeira vez em seus 30 anos de história. Iván López Reynoso não teceu elogios à música de Brahms, compositor que admira profundamente. Ele também não poupou esforços para destacar a importância histórica de Haydn e sua genialidade para escrever sobre a pauta musical.
Em seguida, José Luis Barros Horcasitas abordou a estrutura da Sinfonia nº 3 de Braham, especialmente os movimentos I e IV.
Ao longo da obra, o compositor utiliza o lema FAF, notas Fá, Lá bemol, Fá, que significam “Frei aber froh” (“Livre mas feliz”); são três acordes que se chocam em diversas ocasiões e aos quais devemos prestar atenção.
“Esta é a minha partitura da Sinfonia nº 3 de Brahms”, Iván Lopéz Reynoso apontou para sua partitura colocada sobre um suporte de partituras no palco. “E na página anterior, anoto minhas anotações, como uma espécie de lembrete dos detalhes importantes a cada ensaio. É muito importante notar que, para mim, existem vários fatos interessantes sobre a Terceira Sinfonia de Brahms. O primeiro é que Brahms segue o mais fielmente possível um esboço sinfônico tradicional.”
Da mesma forma, Iván López Reynoso tem novos planos para sua carreira profissional como compositor. Em 2026, ele planeja dirigir uma nova apresentação da Ópera de Atlanta com Turandot, em conjunto com o centenário da ópera de Puccini.
"Se quiserem acrescentar alguma coisa, o microfone é de vocês", sugeriu José Luis Barros Horcasitas, baixando a cortina. "Sim, que eles vão ao concerto (com a Camerata)", respondeu o jovem maestro. "Não há nada que nos deixe, músicos, mais felizes do que ver uma plateia lotada. É emocionante tocar para vocês, mas triste fazê-lo para plateias vazias, porque é como se o nosso trabalho tivesse dado em nada."
[…] Convido vocês a não normalizarem o extraordinário. Ter uma orquestra como esta e um teatro como este (o TIM) em Torreón é extraordinário.”
elsiglodetorreon