As obras de construção do porto de Manzanillo-Cuyutlán começaram sem autorização da Semarnat (Serviço Nacional de Marketing e Desenvolvimento).

COLIMA, Col., (apro) .- Embora o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) não tenha emitido a autorização ambiental, as obras de dragagem da Lagoa Cuyutlán, como parte do projeto do porto de Nuevo Manzanillo, já começaram, denunciou a associação Defensores do Meio Ambiente e dos Recursos do Amanhã (Demarem), junto com membros do movimento Salve Cuyutlán, Laguna Viva.
Em nota, os ambientalistas destacaram que foi documentada a presença de dragas marinhas na lagoa, o que "viola o princípio da precaução" e, nesse contexto, o projeto "pode estar causando danos irreparáveis".
Eles lembraram que o artigo 28 da Lei Geral de Equilíbrio Ecológico e Proteção Ambiental (LGEEPA) estabelece que nenhuma obra com potencial de causar desequilíbrios ecológicos pode ser iniciada sem autorização prévia da Semarnat, o que não foi cumprido neste caso.
Da mesma forma, denunciaram que o MIA-R omite uma análise do patrimônio cultural da região, em especial da Ilha de Cocodrilos, uma das áreas que seriam afetadas pela construção do novo porto.
"Naquela ilha, encontramos um número avassalador de vestígios pré-hispânicos. Essas evidências mostram que nem mesmo o responsável pelo estudo visitou a área que alega ter impactado", denunciaram.

Defensores ambientais exigiram uma avaliação arqueológica obrigatória, pois sua ausência constitui "uma violação grave da Lei Federal de Monumentos e Zonas Arqueológicas, Artísticas e Históricas".
Alertaram que a ausência de um estudo arqueológico impede o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) de cumprir suas funções, pois não lhe é dada a oportunidade de determinar a existência de vestígios ou implementar medidas de proteção. Consequentemente, alertaram, quaisquer vestígios culturais na ilha correm o risco de serem irreversivelmente destruídos, o que viola o espírito da lei, cujo objetivo é preservar o patrimônio nacional para as gerações futuras.
Eles também questionaram a concessão de apenas oito dias pela Semarnat para a revisão de um documento de quase 1.300 páginas. Consideraram esse prazo "ridículo e irresponsável" e exigiram o cumprimento do Artigo 34 da LGEEPA (Lei do Meio Ambiente e Desenvolvimento), que permite uma consulta pública para garantir a participação dos cidadãos no processo de avaliação.
Em sua declaração, Demarem também enfatizou que o MIA carece de rigor técnico e multidisciplinar, pois é assinado por apenas um oceanólogo. Embora reconhecendo sua expertise na área, insistiu que um projeto federal com alto risco ambiental deveria contar com uma equipe de especialistas de diferentes áreas para avaliar de forma abrangente os impactos sociais, econômicos e ambientais.
Os defensores da lagoa alertaram que o projeto Puerto Nuevo Manzanillo teria efeitos irreversíveis na região, incluindo o agravamento da já existente escassez de água potável; a desapropriação do modo de vida dos pescadores e salineiros, violando seus direitos humanos; a perda irreparável da biodiversidade e das barreiras naturais que regulam as mudanças climáticas; e a interrupção das correntes oceânicas, o que poderia levar à elevação do nível do mar, à redução das praias, à erosão costeira e a impactos no turismo.

Por fim, Demarem afirmou que o projeto portuário não representa progresso para os povos de Cuyutlán e Armería, mas sim "destruição e desapropriação".
Eles enfatizaram que o verdadeiro desenvolvimento da região está no apoio aos agricultores que sofrem com a escassez de água, no investimento em infraestrutura pública para o benefício dos cidadãos e na proteção das cooperativas de pesca, produção de sal, apicultura e agricultura que dependem da lagoa, respeitando suas práticas e modos de vida.
"O projeto portuário, conforme planejado atualmente, significa apenas destruição e desapropriação para as comunidades, um progresso e desenvolvimento que não pedimos nem reivindicamos", concluíram.
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