Michelin Portugal 2025: Marlene Vieira consegue uma rara estrela para uma <em>chef</em>

É a segunda gala Michelin dedicada exclusivamente a Portugal e, para "descentralizar", a primeira realizada no Porto - no ano passado, foi em Albufeira. Na Alfândega, choveram estrelas esta noite. Em destaque a primeira estrela para Marlene Vieira, apenas a segunda mulher a receber a distinção em quase um século de Guia Michelin em Portugal.
Nos restaurantes com duas estrelas, a novidade foi não haver nenhuma, mantiveram-se todos os restaurantes já galardoados no ano passado.
Entre os novos restaurantes com uma estrela contam-se, além de Marlene Vieira, em Lisboa o Arke (João Alves), Grenache (Philippe Gelfi), YŌSO (Habner Gomes); em Gaia, o Vinha (Henrique Sá Pessoa e Jonathan Seiller); no Porto, Blind (Rita Magro e Vítor Matos); em Vila do Conde, Oculto (Hugo Rocha e Vitor Matos) e em Braga, o Palatial (Rui Filipe).
José Avillez conquistou uma estrela verde, para os restaurantes sustentáveis.
No ano passado, altura da primeira gala do Guia Michelin inteiramente dedicada a Portugal, após quase um século a partilhar a honra com Espanha, as grandes novidades passaram unicamente por um novo 2* (Antiqvvm, no Porto, de Vítor Matos) e quatro novos 1* (O Balcão (de Rodrigo Castelo, Santarém; Sala (João Sá, Lisboa); Desarma (Octávio Freitas, Funchal); 2Monkeys (Francisco Quintas e Vítor Matos, Lisboa). Em 2024, houve quem achasse que o resultado final demonstrava mais olhos que barriga; e quem apontasse que Portugal continua sem um 3*. A esse propósito, num artigo saborosamente intitulado "Michelin soube a pouco?", Gwendal Poullennec, director dos Guias Michelin, comentava que a selecção de restaurantes do primeiro guia exclusivo de Portugal é “óptima”. Em relação a muitos chefs portugueses considerarem que os resultados da gala deixavam um travo a desilusão, referia que há “países maiores que Portugal que não têm um 3 estrelas”.
Em 2024, Portugal saía da minha gala inteiramente lusa com oito restaurantes 2* e 31 com 1*.
Este ano os Recomendados foram divididos em três grupos. Os do Porto e Norte, anunciados por Rui Paula, são doze: Bistrô by Vila Foz de Arnaldo Azevedo (Porto), Cibû, Hugo Portela (Leça da Palmeira), Culto do Bacalhau, Américo Peneda (Porto), Esperança Verde, Hugo Sousa (Braga), Flor de Lis by Vila Foz, Arnaldo Azevedo (Porto), Kaigi, Nuno Brás/Vasco Coelho (Porto), Le Babachris, Christian Rullan (Guimarães), Mito, Pedro Braga (Porto), O Filho da Mãe, Wesley Amorim (Braga), Real by Casa da Calçada, Emiliano Silva (Porto), Seixo by Vasco Coelho Santos (Tabuaço), Tokkotso, Paulo César Nogueira (Porto).
Na região Centro e Lisboa, as recomendações dos inspectores são dez e vão para o Ceia, Renato Bonfim (Lisboa), Conceito, Daniel Estriga (Cascais), Izakaya, Tiago e Isaac Jorge Penão (Cascais), Las Dos Manos, Kiko Martins (Lisboa), Memórias Santar, Luis Almeida (Santar), Omakase Ri, William Vargas (Lisboa), Oven, Hari Chapagain (Lisboa), Prosa de João Covas e Rui Paula (Aveiro), Safra, Sérgio Silva (Coimbra), Vibe by Mattia Stanchieri (Lisboa).
O terceiro grupo abrange o Alentejo, Algarve e Madeira – muito notória foi a ausência de referências nos Açores – são 13 (cinco deles na Madeira) os restaurantes distinguidos com a categoria Recomendado: Ákua, Júlio Pereira e Liliana Abreu (Funchal), Atlântico, João Sousa (Porches), Audax, César Vieira (Funchal), Avista Ásia, Rui Pinto e Benoît Sinthon (Funchal), Cavalariça, Catalina Viveros e Bruno Caseiro (Évora), Gazebo, Filipe Janeiro Grácio Gomes (Funchal), Híbrido, João Narigueta (Évora), Legacy Winery, Emanuel Rodriguez (Estremoz), Mapa, David Jesus (Montemor-o-Novo), Oxalis, Gonçalo Bita Bota (Funchal), F, Luís Oliveira (Portimão), Sublime Comporta Beach Club, Diogo Gonzaga (Carvalhal), Vistas Monte Rei, André Simão (Vila Nova de Cacela).
O Melhor Sommelier, prémio patrocinado pela Sogrape e entregue pelo presidente da empresa, Fernando da Cunha Guedes, foi para Marc Pinto, do Fifty Seconds (uma estrela), em Lisboa. “Nós, sommeliers, somos bichos de emoções e tentamos transmiti-las”, disse, ao receber o prémio.
O Prémio Michelin Sala, que distingue o melhor serviço de sala, foi para Nelson Marreiros, do Ocean (duas estrelas Michelin), em Porches, Algarve, que disse que “o mais importante é misturar a parte técnica com a hospitalidade”.
A gala, que teve o apoio do Turismo de Portugal, no valor aproximado de 400 mil euros, terminou com um jantar preparado por uma equipa de luxo composta por chefs Michelin e coordenada por Rui Paula (Casa de Chá da Boa Nova, Leça da Palmeira), Vítor Matos (Antiqvvum, Porto) e Ricardo Costa (The Yeatman, Vila Nova de Gaia).
publico